- Ôpa! Parou. Parou, parou, parou. Sério, pára tudo! Ei, senhora. É sim, a senhora mesmo. Pode parar também. Ou seu guarda, pare o senhor também. Êpa, o senhor também, seu motorista. Pronto. Agora sim. Tudo calminho. Gente, eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui humildemente para lhes contar uma história que me aconteceu quando eu corria.
Estava eu a correr. De repente tropecei, não sei como, em uma garrafa grande de vidro azul. Uma garrafa de bico largo, com cerca de quarenta centímetros. Ela ainda tinha o cheiro do espumante que poderia ter sido jogada ali na festa de ano novo. Ah, hoje é dia primeiro. Enfim, continuando... Limpei meu rosto que estava sujo de areia. Ah, eu estava correndo na praia e era dia primeiro. Enfim... Ao limpar meu rosto e depois de ter levantado daquela areia branca peguei a garrafa. Olhei pelo bico e nada. Mas aconteceu algo muito entranho naquele momento.
Como quem olha atentamente um pequeno caleidoscópio, eu vi pelo fundo da garrafa uma mensagem escrita naquela areia. Afastei meus passos cerca de três metros e pude ver com mais clareza. Sim, era uma mensagem e muito longa, parecia mais um texto pelo seu comprimento. Havia frases de cerca de cinco metros com letras de aproximadamente dez centímetros. Tomava espaço cada vez que tentava acompanhar a leitura escrita na areia vista pela boca daquela garrafa que encontrei na praia no dia primeiro. E a mensagem, quer dizer, aquele texto, foi a coisa mais linda que vi na minha vida.
Dizia assim:
“Entre num local onde os homens lutam por um espaço e grite” – Ôpa! Essa parte eu já fiz. Continuando...
“Todos os dias me invento,
Reinvento e me contorço.
Tento relembrar o que fiz
E às vezes esqueço.
Parado eu crio mais,
Penso ma(i)s parado.
Sem ter pronde ir e
Sem saber donde vim.
Lanço pra lá olhares e
Pra cá anoto na pele.
Sem caneta de tinta
Fiz sangue de escrever.
Anotado ma(i)s gravado
Sem pausa, sem reflexo.
Nada entendo com o que perdi.
Pois perdi o que entendi no nada,
Morri-me pra viver.”
- Eu sei minha gente, vocês acharam lindo num é? Quando li achei o mesmo, quase chorei de tanta emoção. Mas sejam pacientes. Isso não é um terço do que aquele texto me disse. Pra ser sincero levei esse texto pra um professor de literatura e ele disse que nunca viu algo tão, tão, tão, qual era mesmo a palavra que ele usou? Ah, tão negligente. Acho que ele gostou. Ele sorriu com a testa franzida enquanto balançava a cabeça. Acho que ele deve ter achado lindo também.
Enfim, continuando...
“Todo dia olho para esse imenso céu negro, com suas estrelas perfeitamente bordadas em pontos-cruzes. Ainda em pé, quando o frio toma meu ser, logo um calor vem e me aquece. Isso faz com que me sinta protegido, diria vivo. Li livros de homens inteligentes, ajudei necessitados, amei todos a minha volta. Mas isso não é o bastante para me tornar um ser digno. É preciso ainda esperança. Todos meus erros se sobrepuseram aos acertos. Então, ao expô-los à balança do meu estágio, zerei-me. Não acertei, embora não tenha errado.
“Entre num local onde os homens lutam por um espaço e grite” – Ôpa! Essa parte eu já fiz. Continuando...
“Todos os dias me invento,
Reinvento e me contorço.
Tento relembrar o que fiz
E às vezes esqueço.
Parado eu crio mais,
Penso ma(i)s parado.
Sem ter pronde ir e
Sem saber donde vim.
Lanço pra lá olhares e
Pra cá anoto na pele.
Sem caneta de tinta
Fiz sangue de escrever.
Anotado ma(i)s gravado
Sem pausa, sem reflexo.
Nada entendo com o que perdi.
Pois perdi o que entendi no nada,
Morri-me pra viver.”
- Eu sei minha gente, vocês acharam lindo num é? Quando li achei o mesmo, quase chorei de tanta emoção. Mas sejam pacientes. Isso não é um terço do que aquele texto me disse. Pra ser sincero levei esse texto pra um professor de literatura e ele disse que nunca viu algo tão, tão, tão, qual era mesmo a palavra que ele usou? Ah, tão negligente. Acho que ele gostou. Ele sorriu com a testa franzida enquanto balançava a cabeça. Acho que ele deve ter achado lindo também.
Enfim, continuando...
“Todo dia olho para esse imenso céu negro, com suas estrelas perfeitamente bordadas em pontos-cruzes. Ainda em pé, quando o frio toma meu ser, logo um calor vem e me aquece. Isso faz com que me sinta protegido, diria vivo. Li livros de homens inteligentes, ajudei necessitados, amei todos a minha volta. Mas isso não é o bastante para me tornar um ser digno. É preciso ainda esperança. Todos meus erros se sobrepuseram aos acertos. Então, ao expô-los à balança do meu estágio, zerei-me. Não acertei, embora não tenha errado.
A vida que me foi dada, agora retirada, sofre agora o pesar. Ao contar as estrelas, conto os dias que vivi. As que passam a brilhar com mais intensidade são os dias da minha vida que foram julgados com mais acertos que erros. As que se apagam, os dias em que meus erros sobrepuseram os meus acertos. Não faz diferença “quem” ou “o quê” faz esses julgamentos. Eles sempre foram feitos desde o primeiro. E o primeiro foi fruto do último e assim se completa o ciclo. “Quem” ou “o quê” o iniciou? Não importa. Quando se está a olhar essas estrelas tudo faz sentido. Nosso julgamento é feito. Estrelas passam a brilhar ou se apagam. O que importa é o que fizemos. Embora essa conjugação do verbo “fazer” seja imutável. O que importará é o agora.
Não sou profeta. Não sou quem faz ou fez as leis e regras universais, nem mesmo faço idéia de quem o possa ter feito. Só vos deixo uma mensagem:
Não contem estrelas, aprecie-as. Elas apagarem ou brilharem cabe a cada um. Viva!”
- Gente. Isso foi tudo. Agora, se quiserem, saiam dessa condu(i)ção e gritem!!
Não contem estrelas, aprecie-as. Elas apagarem ou brilharem cabe a cada um. Viva!”
- Gente. Isso foi tudo. Agora, se quiserem, saiam dessa condu(i)ção e gritem!!
2 Comentários!!:
mermao, muita viagem essa porra oh!
=S
deizano yes!
Vixi! Seria bom se caras como esse substituissem aqueles que ficam vendendo coisas. Eu pagaria um montão por cada história. Já imaginou o trânsito engarrafado. Mas valeria a pena.
ficou muito massa.
Valeu!
Postar um comentário